segunda-feira, 16 de novembro de 2009

CENOPOESIA O NÃO-ESPETÁCULO*

POR JOSÉ TERRA**


A respeito da cenopoesia, espetáculo poético-músico-dramático, se é que assim podemos definir, criado e reinventado pelo poeta Ray Lima, tem que se ter em mente o fato de estarmos diante de algo nunca feito antes. E talvez daí resulte a grande dificuldade deste tipo de abordagem.
Não é possível na intervenção cenopoética, por parte do público, a absorção da música, do poema, ou da cena dramática separadamente, e nem em conjunto ou fundidos num só resultado. Na verdade podemos dizer que a cenopoesia nos subtrai qualquer tentativa de reter sons, imagens ou palavras. Só nos é permitido sentir. O que nos é apresentado é um roteiro de sentimentos, um roteiro emocional, alias, como deve ser a poesia: que tem como sua função principal a comoção. Na cenopoesia nada pode ser mensurado ou decodificado. O espetáculo cenopoético coloca o espectador-ouvinte-leitor em constante movimento sensorial e físico, mas de tal intensidade que em muitos momentos nos colocamos inertes sem saber para onde serão levados pensamentos olhos e sentimentos.
Cada vez mais me convenço de que a poesia em sua totalidade é inacessível ao ser humano e que a grande angústia do poeta é ver que tendo criado o objeto artístico, a obra, ou o artefato poético, não consegue, nem ele nem ninguém, absorver, conhecer, dominar, ou alcançar esta obra na sua totalidade ou em todas as suas perspectivas e possibilidades. Ou seja, é como se o poeta construísse uma casa onde nunca ninguém jamais (e nem ele mesmo) pudesse conhecer todos os cômodos. A deliciosa iguaria que ninguém comerá, o caminho a cujo final ninguém chegará.
A cenopoesia confirma esta modesta constatação.
Acompanhado dos músicos Johnson Soares, Jadiel Lima, Filippo Rodrigues e do dramaturgo Junio Santos. Ray Lima, através de sua genialidade nos deixa entregues a uma memória de fantasmas, encantamento e reflexões, sem aviso, sem a lógica convencional, sem principio e fim, como a poesia deve ser.


*Texto referente ao espetáculo cenopoético de lançamento do livro Lâminas no Rio de Janeiro em 11 de novembro de 2009

**José Terra
Poeta, membro da Academia de Letras, Artes e
Ciência de São Gonçalo-RJ




Zé Terra,
Gostei da sua visão a respeito da cenopoesia. Acho que também é tudo isso.
Eu que conheci este movimento há alguns anos e já ajudei a montar a estrutura musical para algumas idéias concordo com você e entendo muito bem quando diz:
“O espetáculo cenopoético coloca o espectador-ouvinte-leitor em constante movimento sensorial e físico, mas de tal intensidade que em muitos momentos nos colocamos inertes sem saber para onde serão levados pensamentos olhos e sentimentos.”

Abs
Jadiel Guerra

Músico, compositor e poeta, produtor da Rede Globo -RJ

domingo, 1 de novembro de 2009

AGENDA LÂMINAS 2009



















Agosto

Dia 03 - Brasília- DF - II Seminário Nacional de Humanização
Dia 21 - Janduís - RN

Setembro
Dia 09 - Espaço Cultural da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Ceará - ADUFC

Outubro
Dia 22 - Teatro Emiliano Queiroz - SESC - Centro de Fortaleza-CE - Seminário de Educação Popular e Práticas Integrativas.

Novembro

Dia 05 - Manhã: FANOR - FACULDADES NORDESTE – Dunas - Fortaleza-Ce.
Noite: Teatro Pedro Gomes de Matos - Maranguape-Ce

Dia 11 - 19:00 - Casa do Tá na Rua - Rio de Janeiro

Dia 20 - Natal-RN - local e horário a ser definido.

Dia - Fortaleza-CE - Auditório do Conselho Municipal de Saúde de Fortaleza

Dezembro

Centro de Convenções de Fortaleza- CE. Congresso Brasileiro de
Enfermagem

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

LÂMINAS INTEGRA A PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO POPULAR NO SESC EM FORTALEZA-CE




O ESPETÁCULO LÂMINAS, BASEADO
NO LIVRO HOMÔNIMO DE RAY LIMA,
FOI ATRAÇÃO DURANTE O SEMINÁRIO
DE EDUCAÇÃO POPULAR E PRÁTICAS
INTEGRATIVAS E POPULARES DE CUIDADO
NOS DIAS 21 E 22 DE OUTUBRO DE 2009.
UM MOMENTO DE MUITA REFLEXÃO,
ALEGRIA E EMOÇÃO DO PÚBLICO.
O SEMINÁRIO PROMOVIDO PELO
SESC TEVE A PARCERIA DO PROGRAMA
CIRANDAS DA VIDA-SMS-FORTALEZA,
DO PROJETO QUATRO VARAS, DO MOVIMENTO
DE SAÚDE MENTAL DO BOM JARDIM
E A PARTICIPAÇÃO DE DIVERSOS
MOVIMENTOS QUE LIDAM COM EDUCAÇÃO
POPULAR E PRÁTICAS INTEGRATIVAS
NA CAPITAL CEARENSE.



A cenopoesia dialogando com os diversos temas
abordados no seminário e com cerca de 200 pessoas
de movimentos populares, educadores, artistas,
trabalhadores da saúde e comerciários.
Adicionar imagem

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

COM A PALAVRA A LEITORA


Lâminas de Ray & as minhas...


Luciane Regio M... seg, 12/10/2009 - 16:53.
Oi Ray! Agora vejo que talvez as "minhas lâminas" sejam o corpo-suicidado das palavras que não se aguentam mais! Que se atiram do pensamento uma a uma “no corpo-de-papel”, como se também lâminas fossem, laminam-no. Lendo o que ninguém escreveu eu aprendo a interler, a ler o não escrito. E ao escrever as lâminas vem, cortam meus textos, extirpam de si o que ninguém quis escrever, as palavras-suicidas em lâminas revelam os sentidos não lidos. Arrepia-me. E... “o Novo advém dessa atitude. Gerado em sonhos, tratado a utopias, haverá de chamar-se poema sua forma, sua essência poesia”. Laminou-me o pensamento, quando em outro post eu escrevia, vi tua imagem e laminei o teclado cortando-o em “eco” que “quero levantar no meio da roda e puxar versos teus”!! “... e o mercado quanto mais nervoso tanto mais os pobres nadam em marés de alegria... domam suas fantásticas utopias com chicotadas de embriaguez, sem pão nem poesia”! Talvez cortem o ar as lâminas do palavreado de arrepios. Lâminas continuam laminando meus pensamentos, meus sentidos... As palavras me laminam com escritos, nos ditos e não ditos, interditos (!-polissêmias); embalam-me nas músicas, cortam-me em lâminas, recortam. Lâminas aqui ao lado do meu tecla-do-piano-ciber-’n-ético autografada com a "ponta da língua da alma"? Teu escrito foi este! Lâminas, palavras, língua(s), idiomas, corpos, sentidos, relações. Suicidam-se as homicidas, para viver senão no corpo-virtual, sua alma? Minha última ação no Seminário Nacional, trazer Lâminas para casa: “tinha dentro um quê”. Viu só, "libertos em polissemias para lermos até o infinito". Querido, isso é o que teu livro tem me possibilitado. Obrigada!
Abraços,

Luciane/RS
Apoiadora Institucional da PNH



RETORNO DE RAY LIMA

raylimalima seg, 12/10/2009 - 22:30.
Querida, outro dia o Dênis, um jovem conterrâneo seu que hoje pós-gradua em João Pessoa-PB, me dizia algo assim, que estava tocado, laminado a partir de suas leituras do Lâminas. Fiquei muito feliz. Agora você e o Ricardo Teixeira assumindo a autoria do laminar me fazem também daqui, do meu pé de serra de Maranguape-Ce, arrepiar. Certa vez, Drummond disse estar realizado por ter recebido uma carta de uma leitora do Piauí confessando que sua poesia havia-lhe mexido muito, profundamente. Longe de me achar ou querer ser este mestre da literatura brasileira me sinto encorajado a escrever mais, buscando me melhorar e dar sentido ao nosso estar no mundo através da arte. "Haveremos de ser com arte antes mesmo de ser pela arte". Obrigado pela generosidade e incentivo, pois ainda "é duro ser poeta em um país sem raiz/ é duro ver poesia num gigante sem nariz/é ainda triste ser alegre no Brasil."
um cheiro,

Ray Lima


Fonte: http://redehumanizasus.net/node/8286

sábado, 10 de outubro de 2009




















Jadiel Lima e Ray Lima. Espetáculo de lançamento

do livro Lâminas na ADUFC em Fortaleza-Ce.




ESPAÇO CULTURAL


ASSOCIAÇÃO DOS DOCENTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ





terça-feira, 6 de outubro de 2009


Ray Lima lança Lâminas nesta sexta-feira, no Espaço CulturalLâminas é livro? Espetáculo? Metapoesia? Essas e outras perguntas podem ser feitas diante da leitura do novo livro do cenopoeta, educador, ator, encenador e escritor Ray Lima. Ray expõe a sua angústia de poeta sobre o tipo de relação que temos com o mundo e conosco. A publicação ganha uma importante contribuição do fotógrafo Henrique José, que cria a imagem poética fundida e potencializada com a imagem visual, que chama de linguagem cenopoética. A festa literária de lançamento do livro, com Ray Lima, Johnson Soares, Jadiel Lima e Junio Santos, será nesta sexta-feira, dia 09, no Espaço Cultural da ADUFC, a partir das 19h. Ray Lima define sua poesia como o resultado “de vivências humanas, individuais e coletivas, solidária e permanentemente antenada com os processos históricos e sociais das pessoas”. Reflete temas urbanos bastante atuais. Em algumas de suas obras, ele busca revelar a alma do ser nordestino, os conflitos do homem urbano e rural. Os poemas “cantigados” de Ray Lima visam fortalecer e atualizar a tradição oral nordestina. O cantador, o vaqueiro, as rezadeiras são inspirações que dão corpo e alma a sua poesia, recebendo um tratamento sonoro-poético muito especial, o que Ray chama de cenopoesia.A Cenopoesia surgiu nos anos 80, no Rio de Janeiro. Trata-se de uma espécie de linguagem híbrida que mistura teatro e poesia, trazendo leveza e lirismo ao espetáculo, mesmo quando trata de temas “salgados” do nosso cotidiano. Ray Lima afirma que foi o primeiro a usar esse termo para traduzir suas intervenções poéticas em diferentes espaços, produzindo intervenções e espetáculos cenopoéticos no Brasil e países da América Latina, como México, Argentina, Venezuela, Uruguai e Chile. Lâminas ganha a importante contribuição de Henrique José, fotógrafo, mestre em antropologia visual e coordenador da ONG ZooN Fotografia. (Natal-RN). A imagem poética fundida e potencializada com a imagem visual, síntese da síntese, a que os autores chamam linguagem cenopoética. A ambientação gráfica é a criação de um ambiente construído a partir da reciclagem de papel, provavelmente experimentado pela primeira vez, com objetos diversos introduzidos na massa de celulose. Radicado no Ceará há 15 anos, Ray Lima nasceu em Mataraca – PB. Formou-se em Língua e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ. Estudou teatro na Escola Martins Penna –RJ. Sua obra passa por diferentes estilos de linguagem, como poesia, teatro, vídeo e educação. Recentemente especializou-se em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela UNICAMP-SP e atua, no momento, como assessor artístico-pedagógico das Cirandas da Vida, ação estratégica de educação permanente do Sistema Municipal de Saúde Escola de Fortaleza.Serviço: Festa literária e cenopoética de lançamento do livro Lâminas, de Ray Lima, com Ray Lima, Johnson Soares, Jadiel Lima e Junio Santos.

Dia 09.10.2009
Espaço Cultural da ADUFC Av. da Universidade, 2346


Contatos: limafeliz@gmail.com

Tel.: 85 – 33410465

wwwcenopoesiadobrasil.blogspot.com

domingo, 27 de setembro de 2009

LÂMINAS: COM A PALAVRA O LEITOR!









Ray,

Primeiro, uma palavra que quer estar à margem do suporte,
à margem da página e faz da página uma margem, uma outra coisa
que quer ser tátil, têxtil, tosca.

Uma palavra caindo de bêbada fora da página, mas...

Ainda na página. Em nome da margem, uma concessão
à instituição página, uma ajoealhadinha na catedral das letras:
palavra carregada de tinta em favor dos que tentam às margens.

Intróito. Ode às Musas-Palavras! Invocar sua beleza
e sua saudável nojeira!

Ai, então, as lâminas.
E entendo, feliz, que as lâminas vão além da metáfora cortante.
As lâminas são os próprios cortes. O plano de corte.
As laminações do universo. Cortes do caos. A leitura cresce de interesse.

Vejo uma Grande Lâmina: Lâmina mor

fonte de todos

os cortes

Vejo uma arte de sulcar sem ferir

Tudo isso me interessa, sumamente!

PRECEPÇÃO, Lâminas da criação Plano de Imanência da Filosofia.
Lâminas de poesia...

Ai, então, as tuas lâminas lançadas em sacrifício,
teu grito comício das massas.

Massa-cre. Pequenos objetos emergindo da página-massa.
Pequenos objetos ralando aqui no chão do cotidiano, sua cota diária.

E o que tinha dentro era gente ainda

O que tinha dentro das lâminas, dos planos, dos cortes do caos...

Sabe-se que é a voz do homem, do húmus,
da lama, do nado na lama, nado de caranguejo,
laminado, no úmido, na massa, no barro,
no papel mastigado e a-massa-do, da antipágina
marginada, papel-machê do homem de barro,
húmus págus, a página como terra cultivável.
E depois de todo este arar, de todo este sulcar
sem ferir a terra, chegamos a Será? Será?
E aí, então, o encontro com o coração da poesia,
com o ray(o) da poesia.
Poesia como metapoesia. Os cortes do Ray(o).
Seus planos de consistência para a palavra,
palavra de novo reencontrada com a força do franco falar,
palavras escritas em “lâminas de
esmeralda” (como Hermes Trimegistos),
inscritas num plano que corta o caos.
Uma lâmina para fazer as palavras vibrarem
nos encontros de seus sentidos.
Esse plano tem uma existência, uma duração,
ele dura certo tempo, sustenta-se e Parte como veio,
como se tudo se reintegrasse ao caos de onde veio,
reabsorvido à eternidade de onde foi capturado
por um corte, um simples corte, uma lâmina do caos.
O que nos resta senão ler e reler até o infinito?

Pra mim, foi assim que vivi seu livro, até a última vez que o li.
Valeu a pena.
Grande abraço.

Ricardo R. Teixeira

Médico sanitarista, doutor em Medicina Preventiva (FMUSP) e especialista em Comunicação (ECA/USP). Consultor matricial na área de Redes e de Inteligência Coletiva.Coordenador do projeto Rede HumanizaSUS.

São Paulo, 27 de setembro de 2009.

domingo, 30 de agosto de 2009

LÂMINAS - Fotos de Johnson Soares do lançamento em Janduís-RN - 21 de agosto de 2009



“Lâminas de Ray Lima. Este es um extraño libro desde todos los puntos de vista. Primero, porque el autor, que es reconocido poeta brasilero, dedicado desde siempre a promover la cultura en su país, editó este libro de poemas con un formato fuera de lo común; segundo, porque los poemas están acompañados de extrañas (aunque fascinantes) composiciones fotográficas hechas por Henrique José; tercero, poque combina la creación poética con la gráfica permitiéndole al lector, disfrutar de la propuesta. Si desean entrar en contacto con el poeta escríbanle a (limafeliz@gmail.com)” Jorge Consuegra. Libros & Letra – Agencia de Noticias Culturales, nº 5.057. Miércoles 2 de Septiembre del 2009. Bogotá, Colômbia.