segunda-feira, 12 de abril de 2010

ESCAMBIOSE ESPECIAL Nº02

ESCAMBIOSE ESPECIAL
Informativo de responsabilidade do Movimento Escambo Popular Livre de Rua
No. 02 2010
Maranguape, 13 de abril de 2010


Por Ray Lima




Olá hermanos (as), seguimos com a publicação de uma série de Escambioses Especiais para compartilhar um pouco da história do Escambo e outras direta ou indiretamente relacionadas. Neste sentido quando o tema é Janduís aí a coisa fica mais ligada ainda. No mês em que o Ciranduís está de aniversário lembramos neste número especial do Escambiose um grande mestre da cultura janduiense, João Rosa, que J.Huann, fundador do Ciranduís, tanto apreciava com ele conversar. Também ofereço esse número aos queridos irmãos Júnio Santos, Bosco Gurgel e Valdécio Fernandes por terem dividido comigo o prazer de conviver com o povo janduiense sertão afora. Espero que gostem e comentem se assim acharem devido.

Um abraço,

Ray Lima




"EU NÃO SEI FALAR, MAS EU SEI DIZER."
(João Rosa)



A Comissão de Literatura do Conselho Popular de Cultura de Janduís-RN realizou uma pequena entrevista com o verdadeiro artista contador de causo, João Rosa, famoso pela invenção de termos e a criação de conceitos e frases como a que dá título ao texto. Esta ação fez parte de um programa de cultura chamado Caminho do Mato que, entre outras coisas, buscava reescrever a história do município a partir dos seus anciãos e contadores de histórias. Funcionava mais ou menos assim: uma caravana formada por artistas, educadores e desportistas se deslocava da cidade para pesquisar, ofertar, mas também e principalmente aprender e interagir com as comunidades do interior sertão adentro. Durante o dia, de acordo com as vocações e necessidades locais, eram ofertadas as oficinas de arte e esporte, reuniões de organização comunitária, agricultura familiar, gestão cultural, formação política, etc. Uma equipe cumpria a tarefa importante de mapear a comunidade, cascavilhando o que ali havia de potencialidades criativas, práticas artísco-culturais, saberes escondidos, patrimônios materiais e imateriais, etc. de maneira que atingia toda a população de um determinado território. Ao final do dia procedia-se a um momento de avaliação dos trabalhos, apresentação dos resultados das oficinas e intercâmbio entre os visitantes e anfitriões mais jovens. Com o nivelamento das informações, das culturas e das energias passávamos à etapa seguinte, ou seja, a preparação para a programação da noite.



























Ray Lima estimula um historiador a desenvolver
sua função, enquanto a comunidade inteira
com a presença de várias gerações ouve
com atenção o seu relato no auge do encontro.
Às vezes havia contraditórios, debates entre
eles quando na versão de cada um eram
incluídos temas ou fatos históricos polêmicos,
principalmente quando se tratava dos períodos
de estiagem ou de alguma situação de violência
antiga que mexia com as famílias. Porém, logo
alguém interferia e as coisas tomavam o rumo
certo.


À noite se dava a celebração com os anciãos (poetas, músicos, historiadores, contadores de causos, brincantes, etc.) locais. A população toda era convidada e mobilizada para o encontro. Normalmente o lugar escolhido, além de amplo que coubesse todo mundo com folga, pertencia a alguém considerado por todos como síntese ou símbolo das lutas e da união comunitária. Isso contava muito porque ninguém se esquivava do convite, não sobravam motivos para quaisquer recusas ou desfeita. Uma festa, um encontro, uma reunião naquele lugar era imperdível ou irrecusável. As crianças, os jovens e adolescentes que passaram o dia nas oficinas, agora sentados em roda davam um tempo para ouvir atentamente a história do seu lugar, de sua gente pela voz dos mais experientes que em média gozam dos 65 aos 95 anos de história e saber. Revelações do modo de vida, a história das secas, as lutas de resistência, o cangaço, a vida do vaqueiro, os namoros antigos, haja história...
Lá para as tantas chegava a hora do baile tocado por um velho sanfoneiro, descoberto no mapeamento realizado durante o dia, que há muito não tinha coragem de tocar por achar que aquele costumeiro forró pé de serra de seu tempo não cabia mais nas oiça nem nos pés da moçada de hoje. Com muito jeito e cuidado a gente o convencia de dar uma palhinha. Às vezes era preciso articulação com a família toda. Reúne daqui, argumenta dali, no fim dava tudo certo. A festa estava garantida. A preferência do salão de dança principal era para os senhores e as senhoras que tanto resistiu, viveu e lutou por melhores condições de vida naquele chão de clima árido e desafiante. Ao ar livre com iluminação pouca, em alguns casos, à base de lampião a gás, deixava boa margem para a contemplação da lua e das estrelas.



















Encerramento de um encontro do Caminho do Mato
na comunidade rural de Permissão. Casa de seu Chicão.


Era impossível sair imune desses encontros do Caminho do Mato. Era inevitável a emoção forte de quem vivenciasse esses momentos de profundo sentimento de humanidade e democratização do saber.
O Caminho do Mato trouxe um novo sentido para a nossa ação cultural em Janduís. Toda a cidade começou a perceber o papel cultural e social da população rural como muito mais do que produzir alimento para o consumo urbano e povoar o entorno do velho mercado do centro nas segundas-feiras, por ocasião da feira semanal, com suas mercadorias fresquinhas e baratas.
A produção cultural do campo em Janduis, visibilizada pelo Caminho do Mato, propiciou rupturas na lógica globalizante, ideológica e preconceituosa, universalista e excludente da cultura veiculada e difundida pela mídia. Mostrava que dessa matéria prima que é a cultura enraizada na terra seca podem sair muitas matrizes e práticas culturais ainda não conhecidas nem experimentadas pelo povo do centro. Mesmo a população do centro de uma cidade tão pequena já demonstrava estar marcadamente influenciada e dominada pela lógica da indústria cultural, da cultura de massa.
Para todos nós tal experiência nos elevou e humanizou, alertando-nos e anunciando que teríamos pela frente uma luta interminável que começaria com o Movimento Escambo e obviamente não terminará com ele. Lembro da meninada do Grupo Cultural Nhandui, que podemos considerar o grupo embrião do Escambo, reunindo o Ca-ci-di-dó (acrobacia e capoeira), as Meninas do Folclore (danças populares regionais) e os Meninos Palhaços Poetas (teatro de rua, circo e cenopoesia) interagindo, ensinando e aprendendo com a rapaziada da zona rural. Em alguns momentos recebendo grandes lições, por exemplo, do pessoal de Morada Nova, que dava show reinventando a própria acrobacia e os números de palhaços. O Júnio Santos ia á loucura. Vibrava muito nessas horas inesquecíveis. Poderíamos dizer que o Caminho do Mato influenciou nas práticas, na concepção e nas relações do Movimento Escambo Popular Livre de Rua com os lugares por onde passou. A marca rural do Escambo é visível até pelo número de encontros realizados em cidades pequenas do interior do Rio Grande do Norte e Ceará principalmente no decorrer de sua história. A grande maioria se deu nessas cidades. Por isso Janduís representa muito para o Escambo. As raízes estão ali certamente. Não me deixem mentir os que nos apoiaram ou cruzaram tantas vezes conosco aqueles estreitos caminhos de pedras, resistência, desafios e esperanças: Júnio Santos, Vera Dantas, Hélio Júnior, Valdécio Fernandes, Bosquinho Gurgel, Benedito Jorge, Irene Lopes, Zé Bezerra, Toinho de Helena, Leandro, Boinha, Nenén de Aproniano, Max Suel, Dadá, Hélio Almeida, Raimundinho Gurgel, Braga, Raimundo do Sindicato, Mazé, Severino Preto, Zé Belo, Segundo, Casinha, Luciano Alves, Hermano Figueiredo, Cocone, Tarcísio, João Simão e dona Ruth, seu Chicão, seu Chico Bicho, J.Huann e tantos outros companheiros e companheiras que nos apoiaram e definitivamente se juntaram a nós nessas sonhações bonitas. Muita coisa se perdeu, mas ainda dispomos de relíquias como essa entrevista concedida por Seu João Rosa ao poeta e educador J.Huann. Não ouso comentar o texto abaixo porque ele fala por si. Poderíamos sim debatê-lo, discuti-lo, explorá-lo para aprendê-lo mais, considerando sua riqueza sob uma possível diversidade de olhares a partir do que trás de reflexão sobre a cultura, o saber-sabedoria, a cidadania cultural; a questão do subjugo dos falantes aos conceitos pré-moldados e do preestabelecido, o problema da expressão em um mundo de opressão e preconceitos; a cultura vista como elemento de união, de integração, de paz e desenvolvimento humano... e por aí vai. Porém, o intuito nosso é de guardar e preservar a memória dessa gente maravilhosa: do Seu João Rosa, Barbadinho, Severino da Velha, Seu Chicão, Dona Alice, João da Vermelha, Chico Luciano, Seu Gurgel, Paulo Chia, Seu Manu, Dona Severina, Severino Preto e tantos outros e outras que povoam a memória histórica do povo janduiense e o compõem o universo inesgotável do saber popular nordestino. Para nos situarmos no tempo isso tudo acontecia no final dos anos 80 do século passado.

ENTREVISTA
POR J.HUANN***

J.Huann – Seu João como o senhor vê o movimento cultural de Janduís-RN?
J. Rosa – Eu gosto muito desse trabalho desse povo que trabalha nesse plano cultural porque o povo acaba se desenvolvendo pela via poética. O povo tem que se prestigiar dentro da memória. A pessoa cresce pela sabedoria. Se o cara não tem o dom de Deus nada pode apresentar. Por que existe esse vício cultural? Porque o vício cultural é para o caba desenvolver e apresentar. A cultura, esse trabalho, alui toda natureza do mundo. Pois é, quem está desenvolvendo o mundo inteiro é o trabalho cultural. Oi, Huann, eu estou nesse trabalho, nesse movimento porque gosto. A sabedoria cultural é um desenvolvimento legal para a nossa incentivação política. Esse trabalho, quero dizer, é quem está ampliando o Brasil. Huann, se a cultura não fosse boa o povo não observava não. A cultura é uma incentivação dada por Deus, tudo que a gente trabalha tem que servir a Deus. Amo essas frases de união. Essa incentivação cultural. Huann, eu adoro essas coisas.

J. Huann – Por que, seu João?
J. Rosa – Porque eu adoro essas coisas? Porque eu morava lá longe e não tinha como apresentar. E através do desenvolvimento cultural eu pude apresentar e é um prazer que tenho. Aí onde está toda união da matéria. Enquanto eu estiver em Janduís eu apresento.

*

CONCEITOS, FRASES, VOCABULÁRIO
Seu João Rosa, como dissemos antes, gostava de construir seus próprios conceitos, elaborar suas frases, seus códigos lingüísticos para elaboração de seu pensamento, de suas ideias singulares, bem como reivindicava para si a liberdade e o direito à expressão. Vejamos alguns exemplos.

Vocabulário (conceitos) criado e frequentemente usado por seu João Rosa

Ararurema – Menino cheio de dengo; menino dengoso.
Estrimimiu – Pinto que pia: piu! piu!
Fluminén – Besouro mangangá beijando uma flor.
Mafubambê – Uma velha quando se confessa.
Mafubambá – Um touro quando urra na porteira do currá.
Miolo de aruêra – Coisa fortíssima dentro dos problemas da política (pessoas, lideranças comprometidas com as transformações, com o povo – grifo nosso).
Flor que não se cheira – É o organismo lá embaixo.
Nucreata – Uma máquina, o mimeógrafo.
Mofobil – Cabeça oca.
Munheca do poder – (sem significado)
Embocadura do PT - (sem significado)


COMO COMPOSITOR, SUA MÚSICA MAIS CONHECIDA E POR ELE CANTADA ERA CAMPINA GRANDE EM DUAS VERSÕES.**

CAMPINA GRANDE

Campina Grande
É terra de samba
Aonde mora o riso do samba
Tem caixa, tem tambor, tem tamborim
Campina Grande é terra que nunca tem fim
Mas se Campina Grande se acabar
Eu juro com certeza que vou chorar
Choro com ilusão
Campina Grande
É terra do meu coração.

JANDUÍS TERRA DE SAMBA
VERSÃO CAMPINA GRANDE
DE JOÃO ROSA

Meu Janduís é terra de samba
Aonde mora um riso do samba
Tem caixa, tem tambor, tem tamborim
Janduís é terra que nunca tem fim
Aqui em Janduís tem um povo do PT
Que ta comemorando
Eu juro com certeza
Que to cantando
Juro com muita paixão
Meu Janduís é terra do meu coração

* João Rosa – Além de pensador popular, poeta e grande mestre contador de causos, também foi agricultor, moleiro e ceramista.

** João Rosa também compunha músicas. Ele cantava a música Campina Grande em duas versões. A versão original dedicada à cidade de Campina Grande-PB e Janduís Terra de Samba Versão Campina Grande.

*** J.Huann – Educador, poeta e agitador cultural, J.Huann também é fundador da Cia. Ciranduís, hoje um dos grupos mais atuantes do Movimento Escambo Popular Livre de Rua e completa este mês de abril 17 anos de luta.



Edição: Ray Lima – Fundador do Movimento Escambo Popular Livre de Rua
Grupo Pintou Melodia na Poesia
Maranguape-Ce, 12 de abril de 2010


Janduís à luz do dia
É verde sempre verde

O sol não rouba a paz de ninguém
O sol não sabe quem é quem
Além do mais ou do nada
Todos merecem raios e trovoadas

Janduís Janduís
Esta cidade tão pequena
Com problemas de um país
Iluminada pela luz das algarobas
Verdes sempre verdes

Resta agora decidir
Matar a sede que nos mata
E nos arrasta
Para uma arena desigual
Onde o boi é o bandido
E a plateia o oprimido
No varal
(Lima,Ray. In Nhandupoiema, Queima Bucha, Mossoró-RN:1994.)

6 comentários:

Ray Lima disse...

Caramba...que lindo!!!

beijo no coração

Rosa
RBTR/ES

Ray Lima disse...

EM 12 DE ABRIL DE 2010

Esse Escambo é mesmo maravilhoso, ler o escambiose especial me emociona demais. É o cerne da Antropoteatria, do Movimento Escambo na sua essência, das práticas artísticas que fazem minha cabeça e influenciam decisivamente o trabalho do Bando La Trupe. A vida é feita de inúmeros caminhos e podemos mudar muito durante o curso da dela mas a experiência de um Escambo é algo decisivo e me fez olhar o mundo de outra forma, é um Bálsamo conhecer João Rosa e sua poética própria que desafia o estabelecido, ter adentrado no universo de Severino e de Alice e conhecer João Rosa agora é fazer mais uma ligação imemorial com as raízes que esse mundo cão quer nos tirar. os ensinamentos destes mestres populares são semelhantes aos ensinamentos orientais, que dizem: para ter a experiência com o cosmos é preciso ter raízes fortes e entender as mesmas, cada vez que conhecemos mais personagens populares vemos o quanto o teatro pode ser e é vida. a matéria prima da arte é vida e negar as simplicidades da vida e negar a vida e a própria arte se o teatro surgiu do ritual e da crença no poder de representação do homem primeiro "primitivo", o sertão nos mostra ainda ligações com essa crença primeira no poder de reinvenção do mundo pelo humano. o sertão não deixa de ser fértil nunca, a experiência corporal que tenho com o sertão realmente me marca profundamente. São memórias ancestrais, pois meus pais, meu avô, meu bisavô ambos vieram do sertão e migraram pro litoral, no contato que tenho com o sertão e com o povo do sertão entendo certas questões internas, tenho insights produtivos e me sinto viva novamente. O texto me trouxe o cheiro e o sabor do sertão mais uma vez, sempre imagino o teatro de pedras de Janduís, viajo pensando no inicio do Escambo em Janduís. Nas peripécias aprontadas por Ray Lima e Júnio Santos na troca direta com os personagens de Janduís. e penso que minha práxis tem que contribui cada vez mais com o Movimento Escambo, os escambos que tive oportunidade de participar me ensinaram profundamente e viver no exercício da coletividade é um privilégio, ver o que aconteceu em São Miguel, perceber ação das pessoas e essa ação as definindo como escambistas é fantástico, aprender com a Barra do Leme, que tem uma vivência incrível de coletividade, me enche de alegria, ver galera do Cabeça de Papelão fluindo a todo vapor me faz continuar acreditando na FORÇA desse movimento transformador e instigante que tem sido minha escola de arte e vida.Esse mês comemoraremos o os 17 anos do Ciranduís, e tudo indica iremos a Porto Alegre para o encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua, iremos celebrar a arte/vida como sempre fazemos no Escambo, continuaremos nos organizando para o Escambo de Fortaleza, sempre na certeza da troca. ANDO MEIO SAUDOSISTA, QUEM SABE SEJA A VIDA SEMPRE ME COLOCANDO À PROVA.
Patrícia Caetano - La Trupe Entretenimento

Ray Lima disse...

Olá, Patrícia. Que bacana poder sentir o sentir de uma atriz, pesquisadora, ativista do Escambo. É esse tipo de vibração que nos move, transforma, transumaniza e abala as estruturas do mundo como um abalo sísmico. Era um pouco isso que sentíamos naquele período revolucionário de Janduís. A crença e a vontade de querer mudar a realidade mesquinha e injusta de fome, seca e abandono de séculos com que nos deparávamos. Sabíamos que sozinhos não podíamos muito ou quase nada, mas se toda aquela gente que sentia na pele os efeitos dessa história cruel de desigualdade e exploração/opressão tomasse consciência a coisa mudava. O mais interessante é que pregávamos como uma das saídas o investimento em arte e cultura. O que vemos hoje é que o que sobrou verdadeiramente daquele momento foi a ação cultural dos grupos ali formados. É impressionante como as crianças e os jovens que participaram ativamente daquela fase da história de Janduís de alguma forma hoje participam da vida orgânica da cidade. Ou nos lugares para aonde resolveram mudar-se. Janduís nunca mais foi a mesma. Sua gente também. O aniversário do Ciranduís é também aniversário do Movimento Escambo e desse processo de resistência com mudanças permanentes através de seus artistas, da arte e da cultura popular.

Você se refere à Antropoteatria. Seria muito legal que escreve, publicasse coisas falando do processo vivido por você e pelo Bando La Trupe, dando-nos a alegria de compartilhar a riqueza dessa experiência.

Um cheiro,
Ray Lima

Ray Lima disse...

Em 13 de abril de 2010

Que coisa boa, Ray lima. Essa vontade que bateu de novo na tua cachola prvilegiada de detonar com textos a REDE fazendo circular de fato o ESCAMBIOSE é estimulante. Issso me fez lembrar das dificuldades que tinhamos de fz circular o escambiose pq era pelo correio e agora vejo que perdemos tempo não o circulando pela net que chega em tua casa quase no mesmo tempo que sai da cabeça e vira idéia

O barato é se essa onda pegar e todos começarem a ver q tb podem e devem escrever outros e outrs escambioses, pois no escambo ele não de responsabilidade e nem propriedade de um pequeno grupo mais sim pertence todos.

Amanhã estou enviando uma reprodução dO ESCAMBIOSE ANterior com Amir Haddad, com foto e tb com outras nateriais que não dram tempo sair em São Miguel do Gostoso.

Esse texto atual é uma viagem no tempo fantástico e poder afirmar a veracidade da história é se sentir vivo e parte dela. Foi sem duvida marcante na nossa vida e trajetória com arteiro. Nunca lemos e praticamos tanto na vida como em Janduís, no CAMINHO DO MATO, no risco da bala, n falta de água e de ter o que comer, quen nem fazia essa falta toda pq tinha arte demais pra alimentar até o corpo.

Vms continuar falando disso e dos que poucos c onhecem e que marcam suas vidas com uma sabedoria popular fantástica

Sonhei com o primo do mundo
que se chamava, sub mundo
e que pensava e agia
sempre ao contrario
é tanto que seu craks
todos, sem exerção
eram fracos
magro
com cara de otário


Junio Santos - Cervantes do Brasil

Ray Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ray Lima disse...

É isso. Há muitas histórias, você sabe. Deixamos margem para todos e todas contarem as suas. Lembrei, por exemplo, aquele dia que o carro do Braga quebrou lá na comunidade de Arrimo e saímos caminhando caatinga afora, fomos parar na bodega do Seu Chico Bicho e não havia nada para comer. Resolvemos tomar uma e também não tinha tira gosto. Almoço nem pensar. Acabou que Seu Chico foi em casa e nos trouxe um prato com uns pedacinhos de carne com farinha. Era o que podia nos ofertar de melhor. Você perguntou o que era, o homem disse é gato. Você olhou pra mim, de bucho vazio, tomou um gole de cana e começou engulhar, vomitou até o que não tinha no estômago. Rimos muito depois. Na hora foi complicado, todos preocupados pelo fato de vê-lo passando mal. Na verdade, era gato do mato, um animal selvagem já em extinção comumente consumido naquela região pelos agricultores.

São muitas histórias.


Ray Lima