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Dra. Vera Dantas e Ray Lima(Cirandas da Vida, Cirandas de Arte, Aprendizagens, Pesquisa e Cuidado-CE e Movimento Escambo Popular Livre de Rua-Nordeste-Brasil), Letícia, Clara, Vitor Pordeus e Gabriela do Laboratório TuiNagô-RJ- Logo após o espetáculo de abertura do 10º Congresso Internacional da Rede Unida, no Centro de Convenções Sul América-Rio de Janeiro - Brasil - Foto:Celso-RJ(ao fundo de óculos)
Morre em São Paulo diretor de teatro Fernando Peixoto
Um dos fundadores do Teatro Oficina, dramaturgo estava internado desde dezembro
Publicado:15/01/12 - 19h35
Atualizado:15/01/12 - 19h35
RIO - O diretor teórico e ator gaúcho Fernando Peixoto faleceu neste domingo, aos 74 anos. O corpo do diretor que foi internado devido a um câncer no intestino em dezembro do ano passado, no Hospital São Luiz, em São Paulo, está sendo velado no cemitério da Vila Mariana. A cremação será amanhã, às 11h, no crematório de Vila Alpina, em São Paulo.
O Ministro Interino de Estado da Cultura, Vitor Ortiz, divulgou uma nota em solidariedade aos familiares, amigos e admiradores de seu trabalho.
- O Brasil acaba de perder um dos maiores pensadores de teatro, o diretor, ator, escritor e professor Fernando Peixoto. Suas reflexões sobre o teatro internacional e sua contribuição ao teatro brasileiro na segunda metade do Século 20 foram fundamentais. Ele manteve até o fim da vida a relação de apoio e orientação aos novos atores, diretores e grupos. O Ministério da Cultura sente profundamente esta perda - lamentou Ortiz.
Um dos fundadores do Teatro Oficina, ao lado de Zé Celso Martinez e Renato Borghi, Peixoto participou de montagens como “O rei da vela”, “Galileu Galilei” e Na selva das cidades”, por exemplo. Também trabalhou com Augusto Boal, além de ter sido um dos maiores tradutores da obra de Bertold Brecht, no Brasil. No cinema, atuou na adaptação de “Elas não usam black-tie” e “No beijo da mulher aranha”, de Hector Babenco.
If i had to be born
Would be born
If i had to live
Would live
If i had to die
Would die
If i had to kill
Would say a poetry
I’m poetry
I’m poetry
A poetry
(Lima, Ray. Cantiga do espetáculo cenopoético Lâminas. Tradução livre de Ray Lima e Alivre Lima)
III MOSTRA DO SISTEMA MUNICIPAL DE SAÚDE ESCOLA
De 8 a 10 de dezembro de 2011 - Universidade de Fortaleza - UNIFOR
Por Ray Lima
Quando o mundo por gente foi povoado
O poder da educação emergiu forte
Em quase tudo é chamada e dá o norte
Tudo analisa e critica o que é dado
Por ela o homem é sempre projetado
Para além mesmo de si é sua lente
Impôs-se que estratégia permanente
Refina os homens pela a arte e a ciência
Dá à sociedade mais inteligência
Assim a vida é educação permanente
O Sistema Municipal de Saúde Escola
Ideada como uma tenda invertida
Na qual os mestres dedicam sua vida
Da academia fechada se descola
Reinventa o ensino o aluno abre a cachola
A formação é integrada aos serviços
Responsabilização sem omissos
Mudança na atenção pra vida inteira
O profissional assume a dianteira
Educação não há sem compromissos
Dentro do SUS da saúde da família
A educação se dá por quem pratica
Profissional que é bom não prevarica
Mas faz de sua profissão uma homília
Deixando que o diálogo faça a trilha
Trabalhador-cidadão mais consciente
Daquilo que faz pensa no que sente
Implantando a saúde humanizada
Tendo foco na pessoa bem cuidada
Assim a vida é educação permanente
O futuro da gente é luta e crença
Como as utopias de Freire e Galeano
Educar, reeducar ano após ano
Sem ter pena nem dó se há descrença
Dos que usam de má fé ou indiferença
Porque o ato de educar é poderoso
Educar não é coisa de nervoso
Dos que desamam sem um fio de razão
Deixando mais carente o cidadão
Aprender não é trabalho desonroso
Sugiro que se inverta mesmo a lógica
Onde em sendo saúde educação
Não haja mais dentista ou cirurgião
Desprezando a atitude pedagógica
Só pondo fé em cura tecnológica
Educação é política de Estado
Na saúde na justiça no senado
É uma estratégia plena transversal
Mais do que isso um legado universal
Sem ela a humanidade é só passado
A educação de fato é permanente
No sentido freireano popular
Libertação seria aonde quer chegar
O mote que nos empurra para frente
E mais leva a ser sujeito o indigente
Porque ninguém neste mundo é ser só
Da desigualdade social faço um ó
Acusando-a na problematização
Que a situação-limite dá razão
Para atos que desatam nó por nó
Educar - criar vínculo dar resposta
No que é humanamente necessário -
Requer além do esforço do salário
Vontade com clareza de proposta
O Sistema faz sua terceira mostra
Abrindo espaço para a arte e a ciência
Nas expressões do fazer a experiência
Feita em cada canto de Fortaleza
Sempre unindo o científico à beleza
Dos que investem revelam sua potência
Estar com o outro é necessariamente
Diz Paulo Freire de sua própria lavra
“Respeitar no outro o direito à palavra”
Saber ouvir também é inteligente
Cuidar do que é igual e do diferente
“Pois só escuto à medida que respeito”
Cada qual do seu modo do seu jeito
Inclusive os que me contradizendo
Vão me dando pistas do que não entendo
Que sou inacabado ser e imperfeito
E viver pacientemente impaciente
Outro mote do mestre educador
A paciência histórica seu visor
Porque o ser se faz historicamente
E de história de vida diferente
De reaprender o novo o encantamento
Da experiência que à teoria dá sustento
Da práxis da coragem e dos riscos
Dos abraços da festa dos petiscos
Das coisas ruins que desfaço e reinvento
REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA – RBTR
Carta de Teresópolis
A Rede Brasileira de Teatro de Rua - RBTR, criada em março de 2007, em Salvador/Bahia, é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo. Todos os grupos de teatro, artistas-trabalhadores, pesquisadores e pensadores envolvidos com o fazer artístico da rua, pertencentes a RBTR podem e devem ser seus articuladores para, assim, ampliar e capilarizar, cada vez mais reflexões e pensamentos, com encontros, movimentos e ações em suas localidades.
O intercâmbio da Rede Brasileira de Teatro de Rua ocorre de forma presencial e virtual, entretanto toda e qualquer deliberação é feita nos encontros presenciais, sendo que seus articuladores farão, ao menos, dois encontros anuais de forma rotativa de maneira a contemplar todas as regiões brasileiras, valorizando as necessidades mais urgentes dentro do país. Os articuladores de todos os Estados, bem como os coletivos regionais, deverão se organizar para garantir a participação nos encontros, além da continuidade dos trabalhos iniciados nos Grupos de Trabalhos (GT´s), a saber: 1) Política e Ações estratégicas; 2) Pesquisa; 3) Colaboração artística; 4) Comunicação.
A Rede Brasileira de Teatro de Rua reunida de 27 a 30 de outubro de 2011, na Aldeia Cultural Casa Viva, Cidade de Teresópolis, RJ, em seu 9º Encontro reafirma sua missão de:
Contribuir para o desenvolvimento do fazer teatral de rua, possibilitando as trocas de experiências artísticas e políticas entre os articuladores da rede;
Lutar por políticas públicas culturais com investimento direto do Estado por meio de fundos públicos de cultura, garantindo assim o direito à produção e ao acesso aos bens culturais a todos os cidadãos brasileiros;
Lutar pelo livre uso dos espaços públicos abertos, que garanta a prática artística, considerando as especificidades dos diversos segmentos das artes cênicas e respeitando o artigo 5° da constituição brasileira*.
Os articuladores da Rede Brasileira de Teatro de Rua, com o objetivo de construir políticas públicas culturais mais democráticas e inclusivas, defendem:
A criação da Lei que instituirá o Programa de Fomento ao Teatro de Rua do Brasil com o financiamento direto do Estado que contempla: produção, circulação, formação, trabalho continuado, registro e memória, manutenção, pesquisa, intercâmbio, vivência, mostras e encontros de teatro de rua, levando em consideração as especificidades de cada região (ex: custo amazônico);
Debater e criar junto ao poder público, marcos legais para plena utilização dos espaços públicos abertos, extinguindo todas e quaisquer cobranças de taxas, bem como a excessiva burocracia para as apresentações de artistas-trabalhadores de rua;
Ocupar prédios passíveis de serem considerados de utilidade pública e que não cumprem sua função social, transformando-os em sedes de grupos que desenvolvam ações continuadas;
Que os editais federais sejam publicados no primeiro trimestre de cada ano com maior aporte de verbas, liberadas sem atrasos, respeitando-se os prazos estipulados pelo edital e a publicação da lista de projetos contemplados e suplentes, e a divulgação de parecer técnico de todos os projetos avaliados pela comissão;
Que os editais sejam estruturados e divididos, pensando as realidades de cada Estado, e que sejam criadas comissões igualmente regionalizadas e indicadas pelos movimentos artísticos organizados de cada região, bem como a criação de mecanismos de acompanhamento e assessoramento dos artistas-trabalhadores e grupos fazedores das artes cênicas da rua;
A representatividade do teatro de rua nos colegiados setoriais e conselhos das instâncias Municipal, Estadual e Federal;
A aprovação e regulamentação imediata da PEC 150/03 (atual PEC 147), que vincula para a cultura, o mínimo de 2% do orçamento da União, 1,5% no orçamento dos estados e Distrito Federal e 1% no orçamento dos municípios;
A criação de uma legislação específica para a cultura, já que a lei 8.666/93 não contempla as especificidades da área cultural;
A extinção da Lei Rouanet e de quaisquer mecanismos de financiamentos que utilizem a renúncia fiscal, por compreendermos que a utilização da verba pública deve se dar através do financiamento direto do Estado, por meios de programas e editais em formas de prêmios elaborados pelos segmentos organizados da sociedade;
Que sejam incluídas dentro das Universidades, instituições de ensino e escolas técnicas, matérias referentes ao estudo do Teatro de Rua, da Cultura Popular Brasileira e do teatro da América Latina;
A valorização e financiamento das publicações e estudos de materiais específicos sobre teatro de rua e manifestações da cultura popular e sua distribuição, respeitando sua forma de saber enquanto registro.
Teatro de Rua é um símbolo de resistência artística, comunicador e gerador de sentido, além de ser propositor de novas razões no uso dos espaços públicos abertos.
Assim, instituímos o dia 27 de março, dia mundial do teatro e dia nacional do circo, como o dia de mobilização nacional por políticas públicas, e conclamamos os artistas- trabalhadores de rua e a população brasileira a lutarem pelo direito à cultura e à vida.
Reunidos nestes quatro dias, deliberou-se que os próximos encontros, em 2012, serão sediados nas cidades de Santos\SP e João Pessoa\PB.
30 de outubro de 2011
Teresópolis – Rede Brasileira de Teatro de Rua – RBTR
Entrevista pelos 75 anos da Kellogg Foundation
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