POR JÚNIO SANTOS
Hoje faz cinco anos que o Mestre do João Redondo do Rio Grande do Norrte e do mundo, CHICO DE DANIEL (por levar o nome do pai Mestre Daniel) e depois, definitivamente, CHICO DANIEL, faleceu. Para todos que tiveram o prazer de vê-lo brincar, resta a saudade, as lembranças desse homem simples, modesto e inocente, que encantou a todos com sua simplicidade e verdade no trato com os bonecos.
Nos conhecemos no início dos anos 80 e mantivemos uma relação de amizade profunda e respeitosa, ele como mestre e eu como um simples candidato a ser artista de rua.
A última vez que nos encontramos foi um ano antes de sua morte no encontro de teatro boneco de Brasília, produzido pelo Ricardo. Dividimos quarto. Eu, ele, Gilberto Calungueiro e seu filho Daniel. Conversamos muito e nessas conversas num almoço na casa do bonequeiro Josias lá de Brasília, constatamos o quanto ele (e muitos outros mestres) são explorados em projetos da área, com diferenças de cachê assustadoras. Ele ganhava praticamente 10% do valor dos cachês de outros grupos e bonequeiros mesmo tendo servido durante tanto tempo como referência.
Chico já foi para outra e depois de morto virou nome até de um teatro em Natal-RN, mas como anda sua família que durante toda a sua existência teve como principal renda e forma de vida o dinheirinho que ele ganhava com os bonecos?
Temos que fazer essa reflexão sempre. Nossos artistas e mestres populares estão passando mal, comendo o pão que o diabo amassou, enquanto os banqueiros, empresários, a classe política, os magistrados, artistas privilegiados e produtores se divertem com a grana do imposto que o povo paga.
Daqui peço mais uma vez sua proteção, meu mestre, e que continue brincando muito onde você estiver.
Bom-dia a todos!


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